Sendo bem superficial, dá pra se tirar valor de uma conexão/transação de várias formas.
Pra uma única operação do usuário(cliente final) com o produto/serviço oferecido no site temos:
% em marketplace > subscription > freemium > advertising
Só que há outros componentes a serem considerados na equação da receita para gerar um modelo de negócio viável.
aproveitando a sequência acima temos:
- Necessidade de ter escala (eye balls) aumenta da esquerda pra direita.
- % em marketplace < subscription < freemium < advertising
- Recorrência do usuário vai do meio pras pontas.
- subscription = freemium > advertising > % em marketplace
- Mão-de-obra (pessoas trabalhando na empresa) diminui da esquerda pra direita.
- % em marketplace > subscription > freemium > advertising
- Custo de aquisição de usuário diminui da esquerda pra direita.
- % em marketplace > subscription > freemium > advertising
- Entre outras características.
Classicamente, temos o ecommerce usando predominantemente o lado esquerdo da sequência e do lado direito dominado por sites que geram tração espontânea, geralmente, voltados a entretenimento ou sedimentados no conceito de social graph ( aproveitamento sinérgico do valor da rede)
As disrupções acontecem quando jogamos a nossa ideia de produto ou serviço de um lado pro outro nesta sequência e ajustamos as variáveis que compõe a equação da receita mencionada acima. O desafio maior é que juntamente com a equação da receita também é necessário mudar vários outros aspectos do negócio. Os mais antenados em modelos de negócios já devem estar pensando no business model generation. É uma abordagem que eu gosto muito, mas aqui vou ficar só com uma exemplo prático que dá uma noção bem boa do porquê ser difícil fazer modelos diferentes dos já existentes.
Na mídia impressa, por exemplo, há o modelo de subscription e modelo de advertising. Um número antigo que eu tenho de cabeça é o investimento de marketing ser o custo de 7 meses de assinatura para cada plano anual. Vejam que o custo de marketing para fazer aquisição de usuário representa uma porcentagem bem grande do faturamento total. Assim, poderíamos propor um novo modelo para atrair mais pessoas, baixando o preço de uma revista, ou melhor, oferecendo ela de graça para que aumentasse bastante a quantidade de leitores, o que chamaria atenção dos anunciantes e estes estariam dispostos a pagar mais por publicidade, fechando a conta. E por que fazer esta nossa nova revista de forma impressa? Vamos ter somente a versão digital, sem papel impresso, sem logística de distribuição, cortando o máximo possível do que é contabilizado nos custos fixos.
Esta nossa nova revista tem modelo de negócio diferente do vigente, mas reparem que eliminamos boa parte do que hoje são considerados ativos de uma editora, dificilmente “fecharíamos a conta” partindo de uma estrutura já estabelecida. Por isso sobram muitos espaços para blogs crescerem com uma equipe enxuta e irem se especializando na medida em que o fluxo de receita também aumenta.
Mexer com conteúdo também requer uma atenção bem especial, pois não dá pra aumentar o público fazendo continha de regra de três. É necessário formar o leitor, trazer gente com certo conhecimento e padrões de comportamentos que se adequem ao plano editorial. Em resumo, é uma merda que quanto mais mexe, mais fede.
E leitura faz parte de uma atividade opcional no nosso dia a dia. Onde eu vejo mais oportunidade de ser implementado Subscription ou Freemium são em otimizações de tarefas corriqueiras ou digitalização de comportamentos recorrentes. Isso vale para se trabalhar com empresas ou pessoas.
Decidir em relação a Subscription e Freemium é além da estratégia uma questão de conta de matemática. A parte free é vista como um investimento em marketing para conseguir novos usuários e despertar o interesse dos usuários recorrentes na utilização de novas funcionalidades pagas, como efeito colateral da parte free deve ser investido mais em infraestrutura e suporte além de que o serviço/produto oferecido deve ser o mais simples possível, quando comparado com 100% subscription.
Ilustrando:
Freemuim: 1.000.000 de usuários sendo 50.000 pagantes (5%) com custos de infraestrutura e suporte superiores ao subscription.
Subscription: 50.000 usuários pagantes com custos de marketing superiores ao freemium.
Agora, o que é mais fácil? Conseguir 1 milhão de pessoas com interesses genéricos/comuns ou 50.000 com uma necessidade específica? - A resposta não é fácil
Subscription como SAAS é modelo certo pra B2B, ainda mais no Brasil, porque ninguém mais está disposto a pagar licenças altíssimas logo de cara.
O que vejo dando certo de Freemium são:
1) B2C : “serviços voltados para as massas” onde o usuário tem uma necessidade recorrente e pra vida inteira. Exemplo: Evernote
2) B2B: serviços que apesar de serem para empresas podem ser encarados como B2C por endereçarem uma quantidade absurda de empresas ao oferecer um serviço flat/padrão para diferentes segmentos de indústrias. De modo geral vemos que os módulos de um ERP quando separados se encaixam tanto pra Freemium quanto pra Subscription. Temos casos de CRM, email marketing etc.
O Freemium numa ampla perspectiva pode ser ainda:
- sobre o mesmo segmento de clientes oferecendo alguns upgrades na conta.
- Ser de modo indireto, podendo ser para o mesmo segmento de clientes, mas oferecendo serviços conjugados…exemplo eu não pago nada pro google como usuário, ou mesmo pra usar o google apps, no entanto pago como anunciante em adwords.
No Freemium eu pensaria de modo mais objetivo assim: encarare o custo da parte free como investimento de marketing e a parte premium (paga) o que cobre tudo e dá lucro. Parece óbvio, eu sei. Mas é onde vc começa a colocar as bagunças nas gavetas certas para conseguir medir depois.
Tenha isso em mente quando meter a mão num Canvas de modelo de negócios












